Recursos

Esboços de mensagens da Série "O justo viverá da fé"
Em 22/10/2017:
Cristo por essência
Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus” (1 Timóteo 2.5). 
Solus Christus é a afirmação de que a SALVAÇÃO do homem de sua perdição bem como o governo da igreja são obras exclusivamente de Jesus Cristo.
Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (Atos 4.12).
A questão levantada sobre quem exerce autoridade sobre a igreja, no período medieval, desenvolveu-se para o dogma da infalibilidade papal, com a crença de que o papa é o representante de Cristo e o chefe da igreja no mundo. Da mesma forma, a igreja havia instituído ao longo da história outros meios de salvação, tais como a mediação dos santos, as confissões, as obras e as indulgências.
Havia também resquício do pelagianismo, doutrina do século V que negava a corrupção da natureza humana e a necessidade da graça para a salvação. O nome deriva de Pelágio, o autor das ideias que defendiam que toda pessoa é totalmente responsável pela sua salvação e, portanto, moralmente capaz de salvar a si mesmo.
A centralidade de Cristo é a ESSÊNCIA da Reforma Protestante.
Afirmações dos reformadores:
a) Martinho Lutero disse: “Jesus Cristo é o centro e a circunferência da Bíblia”.
b) Ulrich Zwinglio disse: “Cristo é o Cabeça de todos os crentes, os quais são o seu corpo e, sem ele, o corpo está morto”.
c) João Calvino disse: “Jesus Cristo foi constituído o único Mediador, por cuja intercessão o Pai se torna propício e acessível a nós”.
A cultura contemporânea questiona a validade desse princípio e o considera como uma afirmação exclusivista diante do pluralismo religioso.
As pessoas estão à PROCURA de um Deus que não se ira, de uma relação humana sem pecado, de uma religião sem compromisso, de um reino sem julgamento e de um cristianismo sem cruz.
O Jesus que salva é aquele revelado nas Escrituras: o encarnado, o crucificado, o ressuscitado e o glorificado conforme a Bíblia nos diz.
Porque ninguém pode colocar outro alicerce além do que já está posto, que é Jesus Cristo” (1 Coríntios 3.11).
Questões orientadoras para a nossa compreensão:
a) Quem salva? Jesus Cristo, que é o filho unigênito de Deus que se fez humano para fazer com que humanos fossem acolhidos como filhos de Deus.
b) De que somos salvos? De nossa própria perdição humana.
c) Para que somos salvos? Para que nos tornemos humanos tal como Deus nos criou.
d) Por que salva? Porque Jesus é a expressão do misterioso amor de Deus pela criação.
Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16).
Por essa razão, Dietrich Bonhoeffer declarou em sua Ética:
“O mais precioso do cristianismo é Jesus Cristo mesmo.”
E mais:
“O senhorio de Jesus Cristo não é alienígena, e sim o senhorio do Criador, Reconciliador e Redentor, o senhorio daquele, portanto, pelo qual e para o qual tudo existe e no qual toda a criação tem sua origem, meta e essência”.
Que lugar Jesus deve ocupar em nossa espiritualidade?
1. O lugar de um GUIA.
Não basta ser bom. É preciso seguir Jesus.
“[...] pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma” (João 15.5).
2. O lugar de uma PERTENÇA.
Não basta ter uma religião. É preciso pertencer a Jesus.
Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação” (Colossenses 1.15).
3. O lugar de uma AÇÃO.
Não basta fazer caridade. É preciso ser submisso a Cristo.
Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo” (Efésios 4.5).
Conclusão
A proposta de ter Jesus como único e suficiente salvador não é de criar uma relação de dependência com uma religião, uma doutrina ou mesmo um princípio moral, mas o de libertar-nos de tudo o que nos impede de viver de forma autêntica diante de Deus.
Respondeu Jesus: ‘Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim’” (João 14.6). 
Reflexões para Pequenos Grupos: 
1. Quem é Jesus Cristo para você?
2. Um dia, os apóstolos disserem a alguém muito aflito: [...] Creia no Senhor Jesus, e serão salvos, você e os de sua casa” (Atos 16.31). Diante dessa afirmação, responda: qual o lugar que a fé em Jesus Cristo ocupa em sua vida?
3. Por qual razão você acha que Jesus deveria salvá-lo?
4. Jesus afirmou: Pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido” (Lucas 19.10). A quem podemos chamar de “perdidos”?
Em 15/10/2017:
As Escrituras por base
O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão” (Mateus 24.35). 
Sola Escriptura lembra que somente a Bíblia tem a PALAVRA FINAL no que diz respeito à fé e à vida cristã.
Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça” (2 Timóteo 3.16).
Esse princípio reformista deriva da contestação à primazia que a igreja atribuía à tradição do magistério eclesiásticos, principalmente os textos conciliares e papais.
Para Lutero, quando há divergência entre a tradição e a Escrituras, a Bíblia tem primazia.
Lutero certa vez afirmou:
“Um simples leigo armado com as Escrituras é maior que o mais poderoso papa sem elas”.
Quando teve que responder às acusações de heresia diante da Dieta de Worms (1521, afirmou:
A menos que eu seja convencido pelas Escrituras e pela razão pura e já que não aceito a autoridade do papa e dos concílios, pois eles se contradizem mutuamente, minha consciência é cativa da Palavra de Deus. Eu não posso e não vou me retratar de nada, pois não é seguro nem certo ir contra a consciência. Deus me ajude. Amém”.
Esse princípio tem sido mal compreendido pela teologia moderna e contemporânea por:
a) Considerar a Bíblia como ÚNICA FONTE de conduta e de doutrina para todas as circunstâncias – as fontes que vêm da tradição do magistério eclesiástico, de pensadores que analisaram as Escrituras e até de ciências que investigam a condição humana nos ajudam a ter uma melhor compreensão da Bíblia.
b) Considerar a INTERPRETAÇÃO da Bíblia apenas pelo ponto de vista literalista, sem levar em conta os aspectos históricos e o pensamento crítico – a interpretação das Escrituras sem levar em conta sua contextualização e sem reflexão crítica é geradora de toda forma de preconceito e de discriminação.
Esse princípio nos lembra que:
a) A igreja não tem a palavra final sobre a fé.
b) Líderes religiosos não têm a palavra final sobre a fé.
c) Catecismos e doutrinas não têm a palavra final sobre a fé.
d) A religião não tem a palavra final sobre a fé.
A autoridade das Escrituras é SUPERIOR à igreja, à tradição e à doutrina.
A afirmação do Sola Escriptura só foi possível por três fatores históricos:
a) O surgimento da imprensa, que possibilitou a popularização da edição da Bíblia.
b) O apelo do humanismo nascente para uma “volta às fontes”, referindo-se às bases greco-romanas do pensamento ocidental, mas também envolvendo os textos bíblicos.
c) O desejo de um retorno a uma espiritualidade mais bíblica, com base na experiência dos primeiros cristãos.
Sola Escriptura é considerado um princípio formal da Reforma porque:
a) Baseia-se no livre exame das Escrituras.
b) A busca de uma interpretação das Escrituras com mais rigor exegético, levando em consideração aspectos históricos e gramaticais, em substituição ao método alegórico.
A ênfase na autoridade das Escrituras desencadeou um movimento cultural que envolveu desde a tradução da Bíblia para outras línguas como também a alfabetização dos povos alcançados, chegando a influenciar o sistema educacional moderno.
Qual o lugar das Escrituras em nossa experiência com Deus?
1 As Escrituras são o meio pelo qual Deus FALA.
Antes da Escritura, Deus falou. Depois dela escrita, Deus continua falando de muitas formas e meios.
Conhecer as Escrituras é uma atitude libertadora, pois nos coloca diante de Deus como somos a fim de que ele fale conosco.
Se vocês permanecerem firmes na minha palavra, verdadeiramente serão meus discípulos. E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará” (João 8.31,32).
2. As Escrituras são a base de um DESPERTAMENTO.
A pregação das Escrituras nos deixa expostos diante de Deus e do mundo. Isso requer uma conversão do sujeito.
Ler e interpretar as Escrituras fazem parte do exercício de aprendizagem para pensar por si mesmo. Essa é a grande revolução que envolve nossa espiritualidade.
Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e intenções do coração” (Hebreus 4.12).
3. As Escrituras nos habilitam a SERVIR.
A Bíblia aponta nossas fragilidades e nos corrige. Isso não é um problema, mas um grande privilégio, pois visa nos habilitar para o serviço.
Procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar, que maneja corretamente a palavra da verdade” (2 Timóteo 2.15).
Conclusão
As Escrituras são o instrumento através do qual o Espírito nos conduz à graça.
Examiná-la é parte intrínseca de nossa relação com Deus.
Aquele que pertence a Deus ouve o que Deus diz [...]” (João 8.47). 
Reflexões para Pequenos Grupos: 
1. Você tem o hábito de ler a Bíblia? Com que frequência?
2. Qual a importância da Bíblia para a sua experiência de fé?
3. Você participa de algum programa regular de estudo bíblico: escola bíblica, classes avançadas, instituto bíblico ou outro?
4. Jesus ensinou: Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim” (João 5.39). Comente sobre essa maneira de Jesus abordar a importância das Escrituras.
Em 8/10/2017:
A graça por meio
Portanto, você, meu filho, fortifique-se na graça que há em Cristo Jesus” (2 Timóteo 2.1). 
Sola Gratia nos lembra que não há outro MEIO para a salvação a não ser através de Cristo.
Para a teologia medieval, a igreja era suficientemente competente para administração da graça por meio dos sacramentos. Os sacramentos eram tratados como meios da graça.
A grande descoberta teológica da Reforma Protestante é que Deus nos concede por graça tudo aquilo que não alcançamos por meios próprios, sem a necessidade de outros mediadores.
Por meio da graça, não só somos perdoados como também somos JUSTIFICADOS diante de Deus.
A doutrina da salvação era influenciada não só pela ideia de que a igreja detém o controle da graça como também pela compreensão de que nossas ações servem como mérito para se alcançar a graça.
Segundo o historiador Jean Delumeau, a Reforma Protestante foi “em primeiro lugar uma resposta religiosa a uma grande angústia coletiva” (em Nascimento e afirmação da Reforma, p. 60). A Europa estava tomada por longas guerras, pestes, corrupção do clero e crises políticas que levaram a população a um sentimento que de que só o pecado poderia ser a causa para tantas desgraças. Havia uma forte pregação religiosa que afirmava a gravidade ontológica do pecado e a proximidade do fim do mundo.
Base da doutrina reformada da graça:
a) Todo ser humano é PECADOR, e não há o que possa fazer para mudar essa realidade.
b) Somente por graça o homem pode encontrar SALVAÇÃO por meio da ação regeneradora do Espírito Santo e a obra redentora de Jesus Cristo na cruz.
Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (Atos 4.12).
Graça é o favor divino que o homem não MERECE, mas que, em sua soberania, amor e bondade, Deus quer lhe dar.
A graça é libertadora, pois nos livra da ilusão de acreditarmos que somos capazes de dar conta sozinhos de nossa condição de perdidos.
Como podemos afirmar a graça em nossa vida?
1. A graça Deus nos lembra que ele está PRESENTE na história.
É Deus quem toma a iniciativa de se aproximar de nós.
Todos recebemos da sua plenitude, graça sobre graça. Pois a Lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por intermédio de Jesus Cristo” (João 1.16,17).
2. A graça de Deus SUSTENTA a vida.
Não deixe que a lógica do mercado dominar sua relação com Deus.
“E, se é pela graça, já não é mais pelas obras; se fosse, a graça já não seria graça” (Romanos 11.6).
3. A graça de Deus RESTAURA o humano em nós.
A doutrina da graça é um contraponto ao orgulho humano.
O Deus de toda a graça, que os chamou para a sua glória eterna em Cristo Jesus, depois de terem sofrido durante pouco de tempo, os restaurará, os confirmará, lhes dará forças e os porá sobre firmes alicerces” (1 Pedro 5.10).
Conclusão
Diante da graça salvadora que há em Cristo, só há uma coisa a ser feita: acolhê-la em humildade e confiança.
Mas ele me disse: ‘Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza’ [...]” (2 Coríntios 12.9). 
Reflexões para pequenos grupos: 
1. Como você vê a crescente crise moral, política e econômica em todos os níveis da sociedade? Você acredita que há alguma solução para tantos problemas?
2. Para você, a igreja possui algum meio para dar segurança às pessoas hoje? Se sim, quais? Se não, qual é a importância dela atualmente?
3. Você reconhece que precisa ser salvo? Por quê?
4. Como você entende a expressão: Minha graça é suficiente para você [...]” (2 Coríntios 12.9)?
Em 1/10/2017:
A fé por princípio
Porque vivemos por fé, e não pelo que vemos” (2 Coríntios 5.7). 
Sola fide é a base da doutrina da JUSTIFICAÇÃO pela fé.
Esse foi o brado inicial que desencadeou toda a ideia da Reforma Protestante. Esse foi o tema central da Reforma: como é possível um homem injusto ser amado por Deus justo?
Para Lutero, essa não é somente uma doutrina entre outras, mas o resumo de toda a doutrina cristã, que faz com que igreja se sustente.
Este princípio está afinado com a profecia de Habacuque:
“[...] mas o justo viverá pela sua fidelidade” (Habacuque 2.4).
A definição clássica da Bíblia aponta que a fé é o princípio de nossa relação com Deus.
Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos” (Hebreus 11.1).
Nossas práticas religiosas não servem como fundamento para uma vida de fé.
As nossas atitudes devem ser CONSEQUÊNCIA de uma vida de fé, e não a sua causa.
Pois sustentamos que o homem é justificado pela fé, independente da obediência à lei” (Romanos 3.28).
A fé não é pensamento positivo ou afirmação de convicções. É a CONFIANÇA de que Deus nos basta.
Uma pequena fé é suficiente para que a graça salvadora de Jesus Cristo seja experimentada por qualquer pessoa.
Ele respondeu: ‘Por que a fé que vocês têm é pequena. Eu lhes asseguro que se vocês tiverem fé do tamanho de um grão de mostarda, poderão dizer a este monte: Vá daqui para lá, e ele irá. Nada lhes será impossível’” (Mateus 17.20).
Maneiras de se apropriar da fé:
1. EXAMINAR as Escrituras.
Por meio da fé, reconhecemos a Bíblia como palavra de Deus revelada aos homens.
Consequentemente, a fé vem por ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo” (Romanos 10.17).
2. ACOLHER a graça.
Por meio da fé, podemos acolher o cuidado divino por nós.
Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2.8,9).
3. APROXIMAR-SE de Deus.
Por meio da fé, podemos ter uma relação com Deus mais profunda.
Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam” (Hebreus 11.6).
4. EXPERIMENTAR a salvação.
Por meio da fé, podemos ser salvos de nossa própria perdição.
Pois vocês estão alcançando o alvo da sua fé, a salvação das suas almas” (1 Pedro 1.9).
Conclusão
Ter fé é deixar-se ser guiado pelo Senhor.
O que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1 João 5.4). 
Reflexões para Pequenos Grupos:
1. O que significa para você “viver pela fé?”
2. Como podemos explicar hoje uma pessoa que comete pecados tão graves e hediondos ser amada por Deus?
3. Qual a importância das obras em uma vida de fé?
4. O que significa para você ter uma fé do tamanho de um grão de mostarda?

Café com Palavra:

Café com Palavra:
Aos domingos, 18h, o programa de estudos bíblicos da gente.

Assista:

Venha:

Leia no blog do pastor Irenio, Filosofia e Espiritualidade: